Casa Abrigo - Um lugar de proteção

"Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas" (Mateus 19: 14)

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Publicada 18 de Dezembro, 2017 às 17:00

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Desde o ano de 2011, a Entidade Filantrópica Bom Samaritano assumiu a coordenação da Casa Abrigo de Medianeira, passando a atuar no acolhimento institucional. Porém, a entidade existe desde o ano de 2004, e nasceu com o intuito de realizar ações sociais dentro da comunidade do município, através de pessoas que sentem interesse em participar de um trabalho social voluntário, então foi formada uma diretoria. Atualmente Nelton José Buss é o presidente responsável, e é um dos pioneiros da entidade.

A manutenção da Casa Abrigo é feita por um convênio firmado com o município de Medianeira, e recurso advindos de projetos feitos pela Assistente Social responsável, Sonia Camatti. O coordenador geral é Michael Cristian Still, e também há a presença da Psicóloga Ivania Rodrigues.

O trabalho é intenso, a Casa tem necessidades durante as 24 horas de cada dia. Todo atendimento de acolhimento imediato precisa da equipe completa para que a criança ou adolescente que chega seja recebido de forma completa.

Chegada a Casa Lar

Casa Abrigo é o nome, que carinhosamente, foi colocado, mas o nome real do local é Casa Lar.

As crianças e adolescentes são encaminhados para lá apenas por determinação judicial. Mas antes disso há um protocolo de atendimento no município: "Onde se trabalha com toda a família, tenta se recuperar as relações. Porém, quando se constata o risco para a criança ou adolescente, em situação vulnerável, a Vara da Infância, pelo Juíz(a) representante expede a ordem e encaminha para a Casa Lar", explica a Assistência Social Sonia.

Importante frisar que o acolhimento é a última instância, antes disso toda a rede de assistência social do município, juntamente com o trabalho do CRAS, CREAS e outras entidades, oferece ajuda e disponibiliza auxilio para que a criança ou adolescente saia dessa situação. Caso persista a situação, o acolhimento e procedimentos necessários serão realizados.

Procedimentos

Ao chegar na Casa Lar, a criança ou adolescente passa por uma avaliação: "A nossa prioridade é descobrir o que a criança precisa. Ela passa por uma avaliação médica, fizemos o acolhimento básico, que é banho, troca de roupas, alimentação, atendimento psicológico. Logo em seguida, encaminhamos para a escola mais próxima. Então inicia-se um estudo para saber os motivos pelos quais levaram a criança ou adolescente ao acolhimento". Explica Sonia.

Para entender esse momento, toda a rede de apoio anterior presta informações. Sendo assim, a família estando apta a visitações, passam a ocorrer as visitas. Lembrando a família de origem. Tudo isso com muita segurança, sempre levando em conta a preservação dos direitos das crianças e adolescentes.

A família de origem e a criança ou adolescente são encaminhados para todos os processos de aproximação possível e após constatação de que não há como restabelecer esse vínculo, somente então, é feita a destituição familiar: "Trabalha-se toda a família, qualquer laço sanguíneo com aproximação, sendo tios, avós,  são acompanhados e passam por estudos psicológicos e sociais para saber como está essa família e se tem condições de receber a criança ou adolescente. Somente quando todas as possibilidades se esgotarem, e que é feito o afastamento da família".

Caso algum familiar se encaixe no perfil para receber essa criança, ela volta para a família, caso não, a criança ou adolescente entra para o registro nacional de adoção.

Tudo isso é feito com um único intuito, possibilitar e disponibilizar a criança e o adolescente a ter a melhor vida: "As crianças e adolescentes que vem para a Casa Abrigo, tem diversas características, de todas as maneiras e com vulnerabilidades diferentes, desde físicas, psicologias. Lidar com isso faz parte do nosso trabalho", comenta o Coordenador Michael.

O primeiro casal da fila de adoção, que esteja apto e se enquadre no estudo feito pela Vara da Infância, se dá início ao processo de aproximação da família adotante da criança, com visitas no abrigo. Com o parecer positivo, a criança ou adolescente passa ao convívio familiar com essa família.

Há um período de tempo em que se comprova se o casal está apto ou não a adotar a criança ou o adolescente, e somente após esse tempo que será efetivada a adoção. Mesmo após a efetivação, os profissionais responsáveis realizam visitas constantes.

Casa Lar

Hoje, a capacidade da Casa Abrigo é para atendimento de dez crianças, atualmente, nove crianças estão acolhidas: "Nós trabalhamos para dar o melhor possível para essas crianças e adolescentes até o momento de eles voltarem para suas famílias ou irem para suas novas famílias", diz Michael.

Em 2016, foram adotadas 1.226 crianças e adolescentes em todo o país por meio do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), coordenado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os estados com maior número de adoções foram Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Minas Gerais.

Mais de sete mil crianças e cerca de 38 mil pretendentes estão cadastrados no Cadastro Nacional de Adoção atualmente. O processo leva de adoção no Brasil, em média, um ano.

Esperança, amor e renovação

A Casa Abrigo tem o papel de disponibilizar tudo que é direito de uma criança ou adolescente, inclusive mostrando os deveres também.

"Eles precisam de educação, eles precisam aprender a respeitar, trabalhamos com crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados e precisam de uma nova maneira de enxergar o mundo. Com amor, afeto, carinho e proteção. As pessoas costumam dizer que essas crianças e adolescentes foram abandonados, não, pelo contrário, aqui é um lugar para que elas tenham acolhimento e possam ter o futuro que merecem", comentam.

Para a assistente social Sonia, trabalhar com isso é muito importante e gratificante: "As pessoas costumam dizer que chorariam, teria dó, se fizessem o meu trabalho, eu não vejo dessa maneira. Estou aqui para fazer o meu trabalho, cada retorno da criança para sua família, cada criança que vai para uma adoção, significa dever cumprida, significa que foi feito valer o direito dela. Por isso estou aqui, para fazer valer o direito das crianças e dos adolescentes. Uma grande realização esse trabalho, preciso ter o aparato de saber fazer isso para que possa dar aquilo que as crianças e adolescentes precisam".

Michael diz que a luta é para que as crianças e adolescentes possam ter a verdadeira felicidade que em algum momento foi tirada deles: "Como coordenador, preciso pensar nas questões deles e da entidade. Para cada criança que tem o seu processo finalizado, sendo o retorno para a família de origem, há casos de crianças que ficam algum tempo no abrigo, e quando eles encontram uma família, é uma grande alegria. Convivemos com eles algum tempo, criamos afeto, mas sabemos que a cada vitória deles é uma vitória nossa. A alegria de cada um deles é o que nos move".

Direitos da Infância e do Adolescente

Toda criança merece ter uma infância sem direitos violados: "Como Assistente Social, o que eu passo para a sociedade, e não apenas para as crianças da Casa Abrigo, porque há um artigo no Estatuto da Criança e do Adolescente que diz: É dever do estado, da sociedade e da família cuidar das crianças. A sociedade precisa voltar os olhos para todas as nossas crianças, elas irão crescer e serão os adultos do amanhã. Quando você evita a violação de direitos de uma criança, sabe-se que a vida dela será melhor. Muitas crianças apanham sem motivo, sofrem violência sexual desde cedo e não é isso que elas merecem, elas foram feitas para estudar, brincar, aprender, viver como criança. E ser pai e mãe, e ter ciência que a responsabilidade de cuidar do seu filho é sua", conclui Sonia.

"Eu gostaria de dizer para a sociedade que a criança, independente de classe social, ela tem os mesmos direitos, pelo menos assim era para ser. E que essas crianças que estão no abrigo de Medianeira, talvez o que querem é uma oportunidade de ter seus direitos exercidos. Muitas pessoas veem isso aqui como um castigo, como um confinamento, mas é preciso analisar que na maioria dos casos, a situação dessas crianças dentro de suas casas era muito pior do talvez estar longe. É preciso trabalhar com prioridades, nem que seja um tempo longe da família, ou talvez em uma nova família. As pessoas sabem que as devem ser prioridades, então façam isso. Tratem seus filhos como crianças, eles não são adultos. Não deixem danos na vida de nossas crianças, eles merecem o melhor. Já que a reportagem é para a edição de natal e a grande visão é o nascimento de Jesus, que possamos tomar como exemplo suas palavras", conclui o Coordenador Michael.

Redação Revista Guia

 

 

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