O direito de ser feliz - Gabriella Bertuol

Revista Guia
25 de Outubro, 2017 2.430

Publicado em: 25/10/2017 às 11:14

Gabriella Bertuol é moradora de Medianeira há oito anos, se tornou um exemplo para todos que tem a oportunidade de conhecer um pouco mais de sua história.

Ela teve paralisia cerebral, não anda ou fala. Mas isso nunca impediu que ela fosse em busca de seus sonhos.

E um deles sempre foi estudar, ela morou um tempo em Portugal com a família e lá, se dedicou muito aos estudos, inclusive formando-se em técnico administrativo.

Apta para a área, sua ideia era continuar nesse segmento, mas em conversa com uma grande amiga da família, a Advogada Flávia Magnoni Sehenem, ela indicou a Faculdade de Direito como uma ótima opção para Gabriella.

" Por ser um campo que poderia dar mais oportunidade para ela. Faz algum tempo que ela iniciou a faculdade, só que ela precisou parar um pouco. Durante algum período ela também ficou bastante doente, e parou o curso por dois anos e meio. Ela fazia o período integral no início, e por conta de suas limitações precisamos diminuir a carga horária, atualmente, ela está cursando três matérias", compartilha Sônia, mãe de Gabriella.

E como tudo na vida de Gabriella é um desafio cheio de entusiasmo, a força de vontade dela já escolheu em que área quer seguir e atuar no direito, ela deseja ser perita criminal.

Para se comunicar, ela utiliza o notebook como apoio, e através dele que ela começou respondendo o que mais encantava ela no Direito: "Eu tive alguns problemas familiares. Algumas dessas situações e problemas são coisas que eu estudo, e quero aprender sobre isso para ajudar quem passa pelo mesmo".

Gabriella gosta de ajudar as pessoas com o seu conhecimento, e por diversas vezes já direcionou e auxiliou pessoas que precisavam disso. Tudo que ela já passou em sua vida poderia ser um motivo para queixas e reclamações, e muito pelo contrário, ao conhecer ela, o que se vê é uma mulher inspiradora, com vontade de ajudar o próximo e fazer de sua experiência um grande aprendizado e exemplos para todos.

"A Gabriella se supera, ela é uma força para a nossa família", diz a mãe.

A estudante relata que quando tomou a decisão de iniciar o ensino superior ouviu de muitas pessoas que aquilo não fazia sentido. Entre a diversas dificuldades que rotineiramente a faculdade já tem, ela precisou, em particular, se adaptar com uma, escrever rápido. Ela não leva o notebook para as aulas, e escreve tudo manualmente em seu caderno. Para Gabriella, essa é uma forma de se superar ainda mais.

A mãe também comenta que, dependendo a sala que ela está é diferente, pois ela precisa de apoio em alguns momentos, como tirar o material da bolsa, e ter essa atenção de colegas faz toda a diferença no processo de aprendizado e interação de Gabriella.

E ela deixa um agradecimento especial: "Minhas turmas deste semestre estão sendo incríveis. E não posso deixar de agradecer aos professores, eles sempre me dão auxilio no que for preciso. Eles estão sendo maravilhosos comigo. Queria muito agradecer".

Até agora, o que mais chamou atenção da estudante, e que os professores dizem que a lei precisa mudar, principalmente do Código Penal.

E para concluir, ela deixa um recado para todos:

"Nós cadeirantes, assim como eu, temos algumas limitações, mas podemos fazer de tudo. Claro, as vezes tenho dores, mas passa e consigo fazer o que preciso. É preciso sempre acreditar que tudo é possível".

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