Tomar água com remédio líquido corta o efeito do medicamento?

Revista Guia
31 de Julho, 2017 640

Publicado em: 31/07/2017 às 14:38

Acredita-se que tomar medicações líquidas misturadas com água pode cortar o efeito do remédio. Será?
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase a metade dos remédios são utilizados de forma indevida, seja relacionado a automedicação ou devido aos métodos de consumo que cortam o efeito das medicações. Isto tudo porque existem diversas teorias baseadas no senso comum a respeito do uso dos fármacos, sendo uma delas com relação a ingestão de remédios junto à água.

Algumas pessoas, principalmente as mais velhas, acreditam que tomar medicações líquidas misturadas com água pode cortar o efeito do remédio. Mas, será que essa premissa é verdadeira? De acordo com o farmacêutico bioquímico, Luiz Menezes, no seu site Opinião Farmacêutica, não há nenhum problema em misturar os dois itens, contanto que o paciente consuma toda a mistura.

"Vamos imaginar um exemplo: esta pessoa deve tomar 20 gotas do medicamento. Se ela colocar 20 gotas num pouquinho de água, e tomar toda esta água, ela terá tomado as 20 gotas do medicamento. E se ela colocar 20 gotas num copo cheio de água? Se ela tomar tudo, vai ter tomado as 20 gotas do remédio também! Portanto, não importa a quantidade de água, e sim se a pessoa vai tomar toda a água com o medicamento", explica o farmacêutico.
Tomar água com remédio líquido corta o efeito do medicamento?

Então, é possível tomar os remédios misturados a qualquer líquido?
Apesar da água não cortar o efeito da medicação ingerida junto à ela, outros líquidos podem interferir na absorção dos remédios no organismo. Por esta razão, é contraindicado fazer uso de qualquer fármaco com outras bebidas que não seja a água. Um exemplo de bebida que prejudica a metabolização das medicações é o álcool, que divide o trabalho do fígado junto ao remédio.

"Quando chegam as duas demandas no fígado, o órgão não sabe qual metabolizar primeiro, consequentemente acaba não exercendo seu papel por completo e uma das metabolizações é prejudicada. Como o álcool geralmente é consumido em maior quantidade, o fígado tenta metabolizá-lo primeiro e não concentra sua atividade na metabolização do remédio, por isso acaba diminuindo a eficiência medicamentosa. Mas também não consegue absorver totalmente o álcool e parte dele fica circulando por mais tempo na corrente sanguínea, o que potencializa o estado de embriaguez", explica o médico e diretor de área terapêutica da empresa Norvatis,  Marcelo Gomes, em entrevista ao site de Dr. Dráuzio Varella.

Além do álcool, outra bebida que prejudica o potencial dos remédios é o leite. Segundo o médico, alguns antibióticos possuem uma substância chamada de tetraciclina e ela pode formar aglomerações no organismo quando encontra-se com o cálcio, elemento altamente presente nas bebidas lácteas.

Outras orientações sobre a ingestão de remédios
Ainda segundo Gomes, até alimentos podem afetar os resultados das medicações, uma vez que existem remédios que precisam de um ambiente ácido para serem absorvidos e por isso seguem para o estômago. "Após as refeições, o órgão produz o suco gástrico, que pode tornar o local ácido demais e eliminar os efeitos medicamentosos. Além disso, assim como o problema do álcool no fígado, os alimentos dividem espaço com os remédios no estômago, o que acaba atrasando a absorção medicamentosa."

Outra situação que pode comprometer a eficiência dos fármacos é a mistura de remédios, ocasionando a interação medicamentosa. Desta forma, é importante seguir as orientações do médico com relação a qual medicação é indicada para o problema e a periodicidade do seu consumo. Respeitando ainda as orientações da bula, com relação a horários e quantidade ingerida.

Fonte: Remédio Caseiro
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