Páginas Amarelas: Não importa o que aconteça, e sim como você lida - Tania Regina Muller Valiati

Revista Guia
16 de Fevereiro, 2017 2.686

Publicado em: 16/02/2017 às 09:25

Minha vida foi uma eterna busca. Acredito muito que a vida é missionária e você já vem com um propósito. Penso que enquanto você não encontrar seu propósito de alma, você não sossega", diz Tânia Regina Valiati. Natural de Horizontina – RS, mulher de João Carlos Valiati, mãe de João Carlos Junior e avó de Valetina. Residente no Paraná desde criança, morou em diversas cidades do estado e atualmente reside em Santa Terezinha do Itaipu. 

Em busca de propósitos, adquiriu várias profissões ao currículo: professora, assistente social psicanalista e psicóloga, bem como especializações nessas áreas. No momento exerce a função de psicanalista e psicóloga no Espaço Terapêutico Viver Zen. "Iniciei como professora, um grande desafio. Percebi que estava falando com paredes. Optei pela assistência social e conclui que era um trabalho paliativo, que em vez de libertar, estava perpetuando a pobreza, sabia que tinha vindo a este mundo para fazer algo melhor".

Sempre estudando e se especializando, descobriu na psicánalise e psicologia o seu propósito de alma: "O trabalho que mais liberta é o de ‘formiguinha’. Um a um, pois ninguém muda sozinho, eu mudo quando meu entorno muda". Além de todas essas funções, realiza o Projeto Escola de Pais, onde orienta famílias e pais para educar seus filhos. É também é coordenadora da catequese na Paróquia onde reside. 

Percursos da Vida

Em janeiro de 2013, viajando para o Rio Grande do Sul, em um determinado trecho, por decorrências da via, o carro em que Tania e sua família estavam sofreu um grave acidente. Ela fraturou o pescoço e seu sogro veio a falecer.
 
O diagnóstico era de que ela havia ficado tetraplégica: "Falaram que eu só ia mexer a cabeça, é nítido que isso não aconteceu", comenta ela gesticulando e movimentado os braços. 
"Nunca fui de aceitar as coisas, sempre fui determinada e disciplinada comecei um trabalho de fisioterapia intenso e consegui reaver os movimentos do braços. O que hoje é fundamental para o trabalho que desenvolvo".

Quando questionada sobre como lidou com isso, ela acredita que na vida nada é por acaso e tudo o que vem, vem para que possamos entender o recado, e quando você entende os sinais da vida, você não se deixa abater: "Não é o que aconteceu comigo, mas sim, como lidei com aquilo". 

Hoje, garante ter uma vida tranquila, e se sente tão produtiva quanto antes. Sua condição não afetou em absolutamente nada: "Pelo contrário, acredito que isso tudo contribuiu para me tornar um ser humano ainda melhor, não me faz diferenças estar com perninhas ou com rodinhas. Vida que segue, missão continua". 

Livro

Tânia ficou 22 dias em coma, e relata que o período foi interessante: "Se eu escrever sobre o meu coma, daria um best-seller". O momento do coma foi de ver muitas coisas, toda uma história para ela: "Foi extraordinário, vivi e revivi toda a minha vida. Fiz uma regressão e uma progressão."

As enfermeiras diziam para ela que um livro deveria ser escrito para contar a história de seu coma. Incentivadoras, acreditavam que o livro iria se tornar realidade e que Tânia traria o livro até elas, caminhando. 

Escrever está entre os propósitos de Tania, após começar a escrever seu livro, ela recebeu um convite para ser coautora de um livro sobre coach (também uma de suas especializações). O livro Mapa da Vida, com um tema proponente, em que ela precisaria desenvolver este, criando seu mapa da vida utilizando as ferramentas do coach. "Essa questão de como encarar as coisas da vida. Estou em tratamento permanente, e preciso cuidar de minha saúde sempre", explica. 

Sentido da Vida

Anualmente ela retorna ao seu hospital de tratamento o Hospital Sarah Kubitschek, que é referencia ao atendimento de vítimas de politraumatismos e problemas locomotores. "Lá nos deparamos com pessoas de todos os níveis e tipos, de vários graus de comprometimento. E neste lugar vi várias pessoas que ficaram numa condição que não lhes permite uma mobilidade maior só não se matam por não conseguirem. 

É muito triste isso, estar num local onde as pessoas desistem de viver, e sempre digo que não é preciso acontecer algo grave para as pessoas desistirem de viver, vemos isso diariamente, no meu trabalho principalmente, as pessoas estão desistindo de viver", relata. 

Não é preciso uma cadeira de rodas para que você perca o sentido da vida. É preciso não de desconectar de nós mesmos: "Precisamos nos reabastecer de coisas boas, para se auto conhecer e enfrentar os problemas da vida".


Acessibilidade e Inclusão

"No Sarah Kubitschek sempre nos dizem que somos os responsáveis por mudar essa situação, que devemos sair, nos mostrar e dizer que estamos aqui, dar a cara a tapa para educar a sociedade", diz. 

Tânia ainda afirma que somente sentando e usando uma cadeira de rodas que se poder perceber o quanto o mundo não está preparando para isso. Exemplo disso é o maior centro de referência para deficientes da América Latina, localizado em Brasília, que segundo ela, deixa muito a desejar

"Eu e meu marido viajamos bastante. Posso dizer que já precisei tomar banho de caneca, de jarro, de copo, porque hotéis dizem ter acessibilidade, mas você não consegue entrar com a cadeira de banho dentro do box do chuveiro".
Para ela, o conceito de acessibilidade é vago, pois cada pessoa tem suas necessidades especificas. Já o conceito de inclusão é utópico: "As escola dizem que tem, mas colocam uma criança com dificuldade em uma sala regular, as vezes sem profissionais para dar apoio". As pessoas não estão acostumadas em ver um cadeirante, ver uma pessoa com necessidade especial, as pessoas ainda te olham de uma forma diferente: "É terrível quando as pessoas te olham com cara de dó, de pena, te julgam, ou ainda olham pro meu marido questionando o que ele está fazendo comigo. A gente percebe", exemplifica.

2017

"Queria dizer que as mudanças estão ai, o mundo  não muda, quem muda são as pessoas. Há pessoas que mudam para melhor e pessoas que mudam para pior, e as que mudam para o pior é que tornam o mundo um caos. 

Cabe a cada um de nós como se deixar levar por cada momento, por cada situação, por cada comportamento. Você escolhe entre aceitar isso como uma influência negativa para você, ou você não se deixar abater com tudo isso".

Quando você cuida de você, quando você se prioriza, quando você se abastece espiritualmente, com boas leituras, em contato da natureza, desligando-se um pouco desse consumismo todo, esta é a receita de bem estar da psicanalista e ainda afirma que seguindo tudo isso o equilíbrio fica mais fácil e a influência por tudo que acontece ao seu redor mais filtrada.  "Indiferente das circunstâncias que a vida me colocou, isso é um opção de vida. 2017 pode ser melhor e isso depende única e exclusivamente de você".

Ao comentar sobre os acontecimentos do país e do mundo, ela entende como uma limpeza do Universo: "...e vejo o Brasil sendo limpado, drasticamente. Tudo que está acontecendo não é por acaso. Moramos num país lindo, rico, de pessoas incríveis. Mas é um país com uma história tremendamente influenciada negativamente e em função disso as pessoas se condicionaram a esta influência. Porque nós temos uma educação que não ajuda muito, uma cultura que não investe no sujeito e em função de tudo isso é que as pessoas se permitem serem influenciadas".

E frisa que não importa onde você esteja, não importa qual é o seu papel, a sua profissão, qual é a sua opção: "No meu entender, eu vim para fazer a diferença. 2017 será bom para mim, agora pra ti, pra você, para ele, para ela, é escolha de cada um."

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