Dermatologistas alertam para riscos do contato com frutas cítricas antes de exposição ao sol

Revista Guia
09 de Janeiro, 2017 745

Publicado em: 09/01/2017 às 09:05

A jornalista Bruna Ventura, de 27 anos, aproveitou o último dia de 2016 para ir à Praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio, e se refrescar com uma limonada. Os termômetros marcavam mais de 40 graus. Um dia depois, ela percebeu que a região logo acima do lábio — o “bigode” — tinha ficado queimada. A mistura de frutas cítricas, sobretudo o limão, com o sol forte é a receita que leva diversos pacientes aos consultórios de dermatologistas ao longo do verão.

— Nós costumamos ver muitos casos desse tipo nesta época do ano. Às vezes, a pessoa até sabe desse risco, mas esquece e passa a mão suja de limão no rosto ou em outra parte do corpo. Os tipos de manchas variam muito de intensidade — afirma a dermatologista Elisa Barcaui, que faz doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo a médica, a queimadura de frutas cítricas , em contato com o sol, é a fitofotodermatite — nome que mistura partículas que se referem a “planta”, “luz” e “pele”. Elisa explica que os alimentos que causam esse tipo de alteração têm uma substância chamada furocumarina, responsável por deixar a pele sensível ao sol.

A vermelhidão pode demorar um dia ou dois para aparecer, de acordo com o dermatologista Maurício Drummond:

— Depois disso, pode escurecer. Se não for tratada, a mancha pode nunca desaparecer. A indicação é procurar direto um especialista para iniciar o tratamento.

Além do limão, os especialistas contam que outras frutas podem causar queimaduras. São elas a laranja, a tangerina, o figo e a manga.

— Mais de 90% das queimaduras associadas ao sol que trato são de limão. As outras afetam em menor escala — afirma Drummond.

A jornalista Bruna Ventura, de 27 anos, faz parte das estatísticas:

— Ando viciada naquela limonada que é vendida na praia, com o mesmo cara que vende o mate. Na última vez que bebi, acabei bobeando e fiquei com o rosto marcado. A marca não ficou muito forte, só passei protetor e, em alguns dias, ela saiu. A limonada é muito saborosa e refrescante, mas tem que tomar cuidado quando é bebida no sol — reforça.

O dermatologista Felipe Nazareth acrescenta que alguns antibióticos (as ciclinas) também podem causar queimaduras com a irritação causada pelo contato com os raios solares.

— Em alguns casos, acontece com a ingestão de remédios. Mas o comum mesmo é ver queimaduras de limão no consultório. No resto do ano, chego a passar seis meses sem ver um só caso, mas no verão são cerca de três por semana — diz o médico.

Quando a pessoa percebe a queimadura, ela deve lavar bem a área com água e sabão. Depois, é hora de procurar um médico.

— Normalmente, passamos medicamentos anti-inflamatórios tópicos (pomadas) e orais. Quanto mais tempo demorar para ir ao médico, mais chance tem de ficar marcado — afirma Drummond.

De acordo com o dermatologista Felipe Nazareth, alguns perfumes de qualidade mais baixa podem deixar manchas ou queimaduras.

— Antigamente, perfumes que tinham bergapteno, substância parecida com a que tem no suco de laranja, deixavam a pele marcada no sol. A chance de acontecer é pequena, mas não é impossível — afirma.
Segundo ele, hidratantes com cheiro de frutas cítricas não deixam queimaduras no corpo.

Após queimar o corpo com limão, os especialistas indicam que a pessoa use filtro solar com fator alto. Para esconder a mancha ou a queimadura, é possível usar protetor com base.

Fonte: Extra





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